Minha singela Homenagem a todas as mulheres....
==> Como assistir: basta bater a Tecla de ESPAÇO, para passar de slide.....
A história do mundo e, mais recentemente, até o Canal Animal Planet nos ensinam que cabe aos espécimes do gênero masculino o ziriguidum para a atração das fêmeas. E isso inclui uma série de danças, marmeladas, trapalhadas e afins. Mas as mulheres, é claro, também têm seus truques; e, incluem mentiras dos mais variados tipos e por tanto mais ou menos ‘cabeludas’.
Leiam tudo e respondam com honestidade:
Falsa Safada
É o equivalente feminino – em lógica proporcionalmente inversa – ao velho truque do cara que propõe namoro e casamento, mas só quer mesmo sexo. A "falsa safada", ao contrário, chega dizendo que vai pintar o sete, e topar TUDO!...mas, passados os arroubos inicias, e com o passar do tempo se mostra extremamente conservadora e, o que quer mesmo é uma casinha branca, com varanda, um quintal e uma janela para ver o sol nascer.
E aí o cara fica putaço, sem dúvida. Porque os diálogos, na fase pré-namoro, continham frases do tipo "eu, você e minha prima"; mas, duas semanas depois do enlace, ela surge de calcinha bege com lacinho na frente, e com letrerinhos tais como "é chato falar tanto em sexo". Dançou, rapaz! Caiu no conto.
A "Fanática" do Futebol
Ela sabe que você é ludopédio-dependente (falei bonito, heim?). Como de boba ela só tem o futuro maridão, também se fingirá torcedora fanática, acompanhará campeonato, comprará camisa e tudo mais, fazendo você entrar na dança. Ato-contínuo, quando ela perceber que voce tem certeza de que conheceu a mulher dos seus sonhos. Namoro consumado, em pouco tempo transcorrido, ela já não aceitará suas idas ao boteco para ver jogos com amigos.
Ok, você pensa, posso ver em casa com minha namorada torcedora. E chamará a galera para assistir por aí: Pingo, Baixinho, Caroço, Peidorreiro, Fumeta, Bazuquinha etc. Não, não. Ela veta. A coisa vai complicando. Então, pombas!, você e mais eu, certo? NÃO TAMBÉM! Primeiro uma parte da novela ou o final, o programa do People & Arts. É... Você se f****.
A "Torcedora“ do Automobilismo
Não, não é piada. Há mulheres com tamanho requinte de crueldade que não apenas fingem gostar de F1, mas conseguem ESTUDAR A COISA TODA para ganhar a simpatia do idiota. E conseguem, claro. Ele acha que sem dúvida alguma conheceu a mulher de todos os sonhos dourados de sua existência. O resto da história vocês conhecem. Troglodita, Maçaroca, Taturana e Saca-Rolha não podem ver nenhum GP em sua casa, e você não pode ir com eles para lugar algum etc. etc. etc. Sentou na graxa.
A Botequeira de Araque
Tipo clássico! Você realmente se convence porque, cacetada!, a conheceu num bar! Só que é o seguinte: mulheres vão para o boteco com o intuito de procurar NAMORADO. Homem vai para o boteco para procurar SEXO. Essa simples e sutil diferença não é computada quando o PALERMA está cheio de cachaça na cabeça. A moça, é claro, continua topando ir para o bar. Vai uma, duas, três vezes... ATÉ COMEÇAR O NAMORO.
Daí, como sol nesta época do ano, a coisa vai rareando. De bar passa para restaurante, emendando para o cinema ou um café. Ou então viagem pra praia ou algo assim. Ou jantarzinho
O Golpe do "Filminho Abraçadinho"
Essa é boa e eficiente porque a mulher REALMENTE ACREDITA no que diz. Em meio à lástima da solteirice, ela solta um mantra infinito: "quero-um-namorado-pra-passar-as-tardes-abraçadinha-com-ele-vendo-filminho". E fala isso o tempo todo, a cada dia, todo santo dia, pra todas as amigas e amigos.,,,viu?, um mantra mesmo!
Em determinada ocasião, vá lá, encontra o pobre coitado. É ele. O moço que também gosta de "passar-a-tarde-vendo-filminho-abraçadinho". E lá ficam.
Um dia. Dois dias. Três... Não. Não dura o terceiro dia. Antes disso, ela fala: "ai, que saco, você não cansa?". É isso. Ela não quer ficar
A Desinteressada de Bens Materiais
Praticamente uma adepta do Hare-krishna, uma hippie, uma budista tibetana. Ela não pensa na matéria, ela é devota do espírito, ela não liga para o fato de você receber mensalmente o que as demais pessoas da turma ganham em meses ou anos.
Isso, claro, até começar o namoro. Dali em diante, o comportamento da menina sofre uma mudança tão abrupta que você chega até pensar em possessão demoníaca, Exu Caveira ou coisa do tipo. Não, não é nada disso. É apenas o bom e velho 171. E você é a VITIMA.
A Reprodutora
Esse á um Tipo perigoso, amigão, tipo perigosíssimo! A "Maria Parideira" ou "Rainha da Ninhada" é jogo duro, enrascada perigosa. Em primeiro lugar, não vale culpá-la assim deliberadamente, porque – em especial, neste caso – "quando um não quer, dois não brigam".
Mas, como falo aqui dos ‘truques femininos’, então vale dizer do comportamento ANTES do namoro: ela deixa bem claro que não quer filhos, que não quer nada disso. E MENTE dizendo que toma pílula. Aí é sujeira, né? E, sim, já vi casos desse tipo. Mas, de novo, o caboclo tem também responsabilidade. Não usou camisinha porque não quis. E quem pariu Matheus que o embale. E vai logo e Paga a conta da Maternidade!
Devota de Santo Antônio, Quem Diria?
Casamento? Que nada! Ela não quer saber disso! Onde já se viu? Totalmente moderna, qual o quê! Fala sério! No máximo, ela topa um namoro. Ok, um namoro mais sério, com compromisso sólido. Tá, tá, vamo’morar junto.
Enfim, ela casa. Ou melhor: vocês se casam. E aí, meu amigo, você vai sentir o drama. Sabe aquela hora de colocar a aliança. Aquela horinha certa de encaixar o anel no dedinho. Ali, bem ali, ela já te olha diferente. É como se você tivesse descido as cartas do pôquer e ela tivesse um jogo melhor: tipo Full mesmo..né?
Sim, ela ganhou. Ela levou suas fichas, meu caro. O jogo é dela, a mesa é dela, você está limpo, f***** e mal pago. Lembram como começou? Ela não queria casamento. Agora, ela o engoliu. Era uma estratégia. Um jogo de xadrez que – sei lá como – terminou
* * *
Enfim, mulherio indócil... Quem aí nunca aplicou nenhum desses? Sejam honestas, vai...Atirem a primeira pedra....ushaushuahsuahsua!!
Espero que entendam o espírito mordaz e de sátira...da coisa toda... viu?
O Decamerão, ou simplesmente Decamerão, chamado também de: Príncipe Galeotto, vem do italiano : "Decamerone" que significa (em grego, deca = dez) 10 jornadas. É uma coleção de várias novelas (cem ao todo), escritas por Giovanni Boccaccio entre 1348 e 1353.
Esta obra é considerada um marco literário, que marca a ruptura entre a "moral" na literatura medieval, em que se valorizava o amor espiritual, e o início do que podemos chamar de realismo, mostrando em detalhes coisas mais terrenas, que posteriormente deu origem ao humanismo; nele não é mais o divino, mas a natureza, que motiva a conduta do homem. o banal, o carnal, coisas assim. A obra foi escrita no dialeto da região da toscana.
O Decamerão marca com certa nitidez o período de transição pelo que atravessava a Europa com o fim da chamada Idade Média, que ocorre após a pandemia da Peste Negra - aliás é neste período de terror que a narrativa se passa: Dez jovens (sete moças e três rapazes) fogem das suas cidades tentando escapar da pandemia que dizimava impiedosamente o continente europeu,e para isso, se recolhem a uma casa de campo. Aconselhados por Pampinéia, a mais velha das mulheres, estabeleceram que escolheriam um chefe para o grupo a cada dia. Sendo ela a primeira escolhida, e ela define: "...Para os que vierem depois, o processo de escolha será o seguinte: quando se vier aproximando a hora do surgimento de Vênus, no céu, à tarde, o chefe será, à vez de cada um, escolhido por aquele, ou aquela, que esteve comandando nesse dia...."
O Decamerão, rompendo com a mítica literatura medieval, é considerado como a primeira obra realista da literatura. Uma obra que conta o dia-a-dia de pessoas comuns.
Mesmo assim, as circunstâncias descritas no Decamerão contem o senso na época, da numerologia e outros significados místicos. Por exemplo, é largamente aceito que, as sete moças representam as Quatro Virtudes Cardinais (Prudência, Justiça, Fortaleza, Temperança) e mais as Três Virtudes Teológicas (Fé, Esperança e Caridade). E, todavia, é suposto que os três homens representam a Divisão da Alma
As moças tinham idade entre 18 e 28 anos, eram bonitas e de origem nobre, e seu comportamento honesto. Refugiadas (por acaso?) na igreja de Santa Maria Novela, resolvem continuar juntas e logo surgem três moços, com idade a partir dos 25 anos, agradáveis e bem educados, que procuravam suas amadas, que seriam 3 das moças ali reunidas.
Uma grande Pandemia: Esta obra, tem outro detalhe que faz dele um documento único: A narrativa oferecida por Boccaccio sobre o flagelo da Peste Negra que dizimou a Europa, ele constitui um verdadeiro documento acerca dessa pandemia e como devastou o continente. Seu relato ilustra detalhadamente a doença (com suas manifestações, evolução, sintomas, etc), bem como a reação das pessoas diante da perspectiva de uma morte horrenda, e até a ineficácia da religião católica dominante naquele momento ou de uma medicina (quase) ou totalmente ineficaz...
Essa "Peste Negra" nada mais é que a designação pela qual ficou conhecida, durante a Idade Média, a peste bubônica. Uma pandemia que assolou a Europa durante o século XIV e dizimou 75 milhões de pessoas, ou seja, um terço da população da época. Naquele tempo, ninguém sabia dessa conexão com os ratos, por tanto, alastrou-se com facilidade pelos vilarejos estreitos e com pouca ou nenhuma higiene, como era de praxe na Europa medieval. As pessoas chegavam a pedir benção aos padres, achando que assim estariam curadas....! A doença é causada pela bactéria Yersinia pestis, transmitida ao ser humano pelos ratos (Rattus rattus) ou outros roedores. Ainda hoje existem esses surtos de peste bubônica no planalto na base dos Himalaias e na região dos Lagos Africanos.
A peste foi quase certamente disseminada pelos mongóis: no final do século XIII. Gêngis Khan com as suas hordas de nômades conquistou toda a Europa setentrional, da Ucrânia até à Manchúria. Teriam sido os mongóis que, na sua campana invadindo a China, foram infectados na região no sul dos Himalaias pela peste, já que essa região alberga um dos mais antigos reservatórios de roedores infectados endemicamente.
Continuando com Bocaccio e sua descrição da peste, pode-se se ler logo no início da obra, (pois ela [a peste] é a verdadeira razão de todo o livro): “...atingimos o ano ... de 1348, quando, na mui importante cidade de Florença... sobreveio a mortífera pestilência... nenhuma prevenção valeu, baldadas todas as providências dos homens... Nem conselho de médico, nem virtude de mezinha alguma parecia trazer a cura ou proveito para o tratamento.
A peste, em Florença, não teve o mesmo comportamento que no Oriente. Neste, quando o sangue saía pelo nariz, fosse de quem fosse, era sinal evidente de morte inevitável... apareciam no começo, tanto em homens como em mulheres, ou na virilha ou na axila, algumas inchações... a que chamava o povo de bubões... (e daí) passava a repontar e a surgir por toda a parte. Em seguida, o aspecto da doença começou a alterar-se; apareciam manchas escuras ou pálidas nos doentes. Nuns, eram grandes e espalhadas; noutros, pequenas e abundantes."
Estimando as vítimas em Florença e arredores em cem mil mortos, o autor revela também dois tipos principais de conduta perante a ameaça da Peste: um, de luxúria desenfreada (as pessoas que passavam a beber e entregar-se aos prazeres); outro, onde pessoas se recolhiam, fechadas em grupos, orando e praticando o ascetismo – além de outros tantos que agiam entre estes dois tipos, adotando condutas intermediárias. Numerosas levas de gente saíam das cidades, vagando pelos campos, reunindo-se nas igrejas. Foi numa delas que se encontra o inusitado grupo que servem como personagens do fundo do Decamerão.
Ficou famosa a adaptação para o cinema realizada por Pier Paolo Pasolini, com música de Ennio Morricone
Este foi o primeiro filme de Pasolini na sua Trilogia da Vida, que inclue 'Os Contos de Canterbury' e ainda 'Noites das Arábias'. Embora os filmes de Pasolini não são para qualquer um, pois tem uma ação meio lenta e seus personagens sao mesmo arquetipos. Mas ainda acho que é um dos diretores que melhor captura o sentido mítico das criaturas por ele mostradas na tela grande.
Quero comentar este excelente filme...de Murilo Sallles, com a atuação (espetacular por sinal), de Leandra Leal...
O filme conta a história de Camila, uma jovem empenhada em se tornar escritora. Sua própria vida é sua narrativa. Ela é intensa, corajosa e quer a sua inspiração como um ato de revelação. É um filme sobre a paixão de Camila e seu esforço para levá-la adiante. Sobre uma personagem feminina que encara abismos e retira disso a força que necessita para existir. Ela busca criar para si uma existência complexa o suficiente para poder escrever sobre ela. Ela escreve compulsivamente
A personagem principal praticamente não se afasta de seu computador. É através dele que busca alcançar a bóia salvadora ou a âncora que lhe permita algum tipo de estabilidade. É quando o contraste surge de maneira bem clara, quando as imagens e as situações do filme colocam em cena a incômoda verdade que constata ser o progresso tecnológico inversamente proporcional ao aperfeiçoamento emocional dos indivíduos. Quando, numa de suas melhores cenas, o filme mostra a personagem procurando colocar ordem nas coisas á sua volta, do apartamento, em luta inútil contra o caos que a cerca, fica exposta toda a intensidade desse drama que flagra a protagonista tentando recuperar o perdido, procurando voltar a um mundo do qual foi expulsa.
A definição escolástica do titulo diz: Próprio "é o que pertence ao sujeito da oração", e também "adequado, conveniente, que serve a determinado fim, apropriado". Enfim, achei um nome bem feliz para o filme, mas me suscita a curiosidade de saber se é um nome conquistado ou dado, saber o que você acha disso. Não poderia ser algo como um nome comum? Ou impróprio?
- Baseado nos livros "Máquina de Pinball" e "Vida de Gato", de Clarah Averbuck, gaúcha, escritora mordaz e muito pessoal, e em trechos de textos publicados pela autora em seu Blog pessoal.
Nome Próprio é o título, e só aparece na tela no fim do filme, sobre a imagem das Camilas. Parece que a partir daí tudo se acalma; conseguimos, enfim, resolver a crise. E então parece claro que o problema é daqueles que não cabe mais em uma pessoa só...
A definição escolástica do titulo diz: Próprio "é o que pertence ao sujeito da oração", e também "adequado, conveniente, que serve a determinado fim, apropriado". Enfim, achei um nome bem feliz para o filme, mas me suscita a curiosidade de saber se é um nome conquistado ou dado, saber o que você acha disso. Não poderia ser algo como um nome comum? Ou impróprio?
- Nome Próprio, foi vencedor do Festival de Gramado, e reafirma a preferência do realizador por personagens que, vivenciando uma solidão quase insuportável, procuram uma afirmação pela busca de ligações humanas que os salvem do desastre. Participou também na mostra Première Brasil (fora de competição), no Festival do Rio 2007. Esta longa, foi filmado e exibido na forma digital, e confirma que o cineasta merece ser incluído no grupo de realizadores brasileiros dignos de toda a nossa atenção. Ele tem voz própria, não segue correntes e pratica um cinema urbano, voltado para setores da classe média para cima.
Sobre a Autora:
“Nós que não somos como as outras”. Clarah Averbuck tem o título de um livro da também escritora espanhola, Lucía Etxebarria, tatuado no corpo. Pois é, definitivamente ela é diferente: é uma mulher de personalidade forte.Talvez por isso uns a adorem e outros a detestem. Se todos somos personagens de nós mesmos, eu diria que Clarah se diferencia por assumir esse papel. Com tudo isso, misturado com sua literatura, tal vez seja por isso, que atraiu a atenção do diretor Murilo Salles, que adaptou sua obra para o cinema. E assim surgiu ‘Nome Próprio’ que tem na atriz Leandra Leal o seu melhor expoente.
Trechos de entrevista com a autora:
CLARAH AVERBUCK - Quando me mudei para São Paulo (antes eu trabalhava numa agência de publicidade em Porto Alegre, mas não queria ser redatora publicitária). Meu chefe dizia que eu tinha grande potencial, mas eu não queria. Teve a ver muito com o (John) Fante isso. Tenho um ciúme do Fante! Todo muito chega falando dele como se conhecesse. Teve a ver com o (Arturo) Bandini, na verdade. Achei que estava saindo do Colorado para ser uma escritora em Los Angeles... (RISOS) Cheguei a cursar letras e jornalismo. Mas, sou vagabunda, não gosto de estudar, e menos de trabalhar... isso de horário integral não é comigo...
Repórter – Foi assim que surgiu o pseudônimo Camila?
CLARAH AVERBUCK - Camila já meio que existia. Eu publicava com esse nome quando eu namorava. Usava o nome da Camila. Já era um alter ego meu, depois eu assumi. As pessoas que estiverem perto de mim vão sempre entrar na minha literatura...
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Quando terminou a sessão eu não sabia muito o que pensar, talvez mesmo por essa identidade tão buscada não ter sido de forma total bem encontrada. Mas tenho uma certeza: que a Leandra Leal é uma atriz de primeira.
No tocante ao filme propriamente dito, nada parece ser tão particular como Nome Próprio, que parece estar sempre à frente de seu tempo, em um discurso que provavelmente será inserido ao costume de cineastas brasileiros.
Para você a integra do filme:
Camila, uma garota que após o fim de um intenso relacionamento, completamente perdida, faz textos explícitos e venenosos sobre sua vida e os posta
Camila vive queimando seus cigarros intensamente, que parecem até palpáveis através dos jogos de câmera e os primeiros planos escolhidos para testemunhar a sua egocêntrica queda. Quando está longe do computador, a escolha é apodrecer o seu corpo, como o personagem diz. "É uma experiência necessária para disparar sua metralhadora que são seus dedos perto de um teclado", mesmo que para isso ela tenha que destruir e seja destruída, o exercício de fazer sua mente brilhar enquanto o corpo morre.
Nessa lide inquietante, a busca nas entrelinhas é pela identidade. Qual é o verdadeiro ‘eu’ de Camila? A infantil, a birrenta ou a autodestrutiva ou a que preza pela preservação e um trabalho que é capaz de se relacionar tão intimamente que despe Camila enumeras vezes e de maneiras tão distintas? . Nome Próprio é um fiel retrato contemporâneo sobre um seleto grupo que afirma viver a vida, mostrando o gozo de uma vida perfeita, mas que parece estar procurando a real identidade, e que, na primeira ponta de esperança que aparece, apostam tudo, mesmo sabendo que essa ponta irá se apagar a qualquer momento.
Todavia, Só o desconhecimento ou a falta de memória poderia permitir que não fosse visto no filme de agora um prolongamento de outra grande obra deste Diretor: Nunca Fomos Tão Felizes. Aqui, outra vez o cenário do apartamento vazio, na segunda metade da narrativa, expressa essa solidão. Eis um ponto de ligação que merece ser melhor explorado pelo observador.
Por isso e tudo mais, Nome Próprio é um filme que não deve passar despercebido.
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Resumindo: No auge da cultura árabe, um homem com mais de 50 anos pede em casamento uma menina de nove. Mesmo contra a vontade dela, os dois se unem e passam a enfrentar as intrigas e as acusações de uma religião que acabava de nascer -o islamismo-. Esse é o ponto de partida do livro "A Jóia de Medina" (Editora Record), da jornalista americana Sherry Jones. Ele já seria incomum, mas a importância dos protagonistas torna a trama ainda mais excepcional.
Com uma pesquisa exaustiva e elegantemente escrito, "A Jóia de Medina" evoca a beleza e as duras realidades da vida numa era há muito passada, durante um tempo de guerra, aprendizagem e iluminação. Simultaneamente uma história de amor, uma lição de História e uma fábula de amadurecimento, "A Jóia de Medina" apresenta aos leitores uma amostra do turbilhão que cercou o nascimento da fé islâmica através dos olhos de uma menina, uma heroína verdadeiramente inesquecível.
Os amores de Maomé
O livro conta essa história, belíssima e cheia de nuances de afeto, compreensão e inspiração religiosa e, infelizmente provoca a ira dos radicais islâmicos
Pois o homem em questão, a grande amor de Aisha é ninguém menos que o profeta Maomé (570-632), fundador do Islã. A menina escolhida, que se casou apaixonada por outro pretendente, e que sabe aprender com os fatos da vida, e com o tempo passou a amá-lo. Por sua coragem, valentia e grande admiração pelo esposo, torna-se excelente guerreira e também conselheira do profeta. Foi por meio de seus relatos que a jornalista resolveu contar esse momento marcante da história da humanidade - uma escolha que lhe rendeu a reação negativa de seguidores do islamismo, para quem as mulheres devem ocupar posição secundária.
A Historia é emocionante, e fez também as editoras tremerem. O que no início parecia apenas um lançamento editorial, com a reação de algumas editoras, que se afastavam como o diabo foge da cruz. Fez atiçar a curiosidade pelo excelente livro: depois de assinar um contrato de US$ 100 mil, a conceituada editora americana Random House recusou-se a publicar o livro. Na Inglaterra, outra casa editorial teve o prédio atacado após anunciar que lançaria a obra. "A Joia de Medina" acabou indo para as estantes sob a uma outra editora, a Beaufort Books. Tornou-se best-seller e chega agora às livrarias brasileiras pela Editora Record.
Para os radicais muçulmanos, há diversos pontos delicados no livro: eles não aceitam o fato de a criação do Islã ser contada por uma mulher nem a afirmação de que uma das esposas de Maomé estivesse desejando outro homem. Mas talvez o principal motivo de protesto tenham sido as passagens
Quando ele entrasse, eu deixaria a túnica cair ao chão e ficaria em pé diante dele, completamente nua."
Convidada pela Random House para fazer uma avaliação do romance, Denise Spellberg, professora de história do Oriente Médio na Universidade do Texas, o reprovou de forma taxativa: "Não se pode pegar a história sagrada e transformá- la em uma historia do dia-a-dia, meio banal e corriqueira."
A professora Denise afirmou que o texto é corriqueiro demais para os muçulmanos e a trajetória de seu povo.
Uma reação diferente - e, sobretudo, insuspeita - teve o editor-chefe do site islâmico altmuslim.com, Shahed Amanullah. "A melhor resposta a um discurso livre é simplesmente outro discurso."
Os defensores da obra também protestaram e a polêmica teve a participação de Salman Rushdie, o escritor anglo-indiano que passou a ser perseguido por religiosos iranianos depois de escrever outro livro conhecido, também sobre o Islã: "Os Versos Satânicos". Ele declarou: "É censura causada pelo medo e cria um precedente muito ruim." De sua parte, a Random House não nega o temor de represálias. Ela justificou-se dizendo que não queria incitar "atos de violência de segmentos radicais" e se disse preocupada com a segurança da autora, dos empregados, dos vendedores e de todos os envolvidos no processo de distribuição desse romance histórico.
"A Joia de Medina" é um livro bem escrito, que desde a primeira página consegue envolver o leitor e transportá-lo no tempo até a região onde nasceu o Islã. Apesar do fôlego jornalístico impresso à saga de A'isha, a autora não se furta a um tom lírico que, geralmente, está ausente em obras do gênero. Ela começou a pesquisa em 2002, atiçada sua curiosidade pela quantidade de reportagens sobre os muçulmanos publicadas depois dos ataques terroristas do dia 11 de setembro.
Ela mesmo, como mulher, acabou impressionada com a submissão das mulheres nos países islâmicos. A biografia de A'isha, uma das 12 mulheres e concubinas de Maomé, é simbólica, já que ela enfrentou suas limitações. Ainda, antes de morrer, Maomé entregou sua espada sagrada, toda coberta de pedras preciosas, conhecida como " al-Ma'thur " para a sua amada Aisha para ela usá-la na guerra santa que estava por vir, na jidah. Mais o que aconteceria se a jidah em questão fosse contra seu próprio povo?. Após 20 anos de luta e sacrifícios, caberia a Aisha preservar a fé e o futuro do seu povo. E isso ela fez, e muito bem! Por amor o seu generoso esposo. mais tarde, foi de espada em punho ao campo de batalha enfrentar os inimigos e chegou a ser conhecida como Mãe dos Pobres. Em uma das raras ilustrações que retratam Maomé com suas esposas, A'isha aparece em um plano inferior a Fátima, a filha de Maomé com sua primeira mulher, Khadija.
O curioso é que tanto ela como o profeta estão com o rosto coberto por véus - ao mostrá-los assim, os artistas muçulmanos evitavam que a representação do criador do islamismo pudesse parecer inexata ou sacrílega. O que dá um indicativo da importância dessa menina-mulher nas origens da religião Islámica
"É grande a força dessa mulher - a sua inteligência e a coragem, e mais, o seu senso de humor me atraiu imediatamente", disse a autora em uma de suas entrevistas. As cenas de alcova talvez sejam excessivas tratando-se de uma narrativa com tantos outros atrativos, mas diante da opressão feminina da época compreende-se a sua opção. Trata-se daquele tipo de livro em que é inevitável entender e torcer pela solidariedade que o autor mostra para com os personagens.
Para saber: Medina É uma das cidades sagradas do islamismo. Até 622, quando o profeta Maomé entrou na cidade e passou a morar nela, era conhecida como Yathrib também chamada de Iatreb. No ponto de vista histórico do Islã, esta foi a primeira cidade regida pelos princípios teocráticos do profeta Maomé.
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Uma história de amor censurada. Uma obra tão polemica e controversa quanto os «Versos Satânicos»- Washington Post
A tradução portuguesa de Portugal, está a partir de 1º de Julho nas livrarias portuguesas. Edição da Casa das Letras.